MPPE PEDE QUE ESCOLAS E FACULDADES USEM DETECTOR DE METAIS

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou que escolas públicas e privadas e faculdades particulares no Recife instalem detectores de metais e identificação biométrica nos acessos às instituições. Polêmica, a medida condicionaria a entrada de todos, alunos, funcionários e visitantes, a uma espécie de “revista”.

A orientação, que não é obrigatória, é do promotor de justiça Solon Ivo da Silva Filho. Na visão dele, a iniciativa é necessária diante da vulnerabilidade na segurança de muitas entidades de ensino, que já foram palco de crimes e de violência. Há menos de um mês dez pessoas foram assassinadas e 11 ficaram feridas em um ataque à Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Os autores foram dois ex-alunos, que se mataram após o crime.

Mas será que a rede de ensino no Recife e as faculdades têm estrutura suficiente para pôr em prática a recomendação? Quem faria as revistas? Como submeter milhares de estudantes e profissionais sem causar transtornos? E se um objeto que ofereça ameaça às pessoas fosse encontrado? Qual seria o procedimento adotado?

Aspectos como estes não são simples de serem implementados. Atendem ao clamor da sociedade que sofre diariamente com a carência de políticas públicas efetivas, mas geram impactos financeiros e sociais. É preciso, antes, uma ampla reflexão.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe), professor José Ricardo Diniz, foi taxativo em dizer que a recomendação vai contra as propostas pedagógicas das escolas de trabalharem, sobretudo, a cultura de paz.

“Como trabalhar valores como confiança, cooperação e respeito e tantos valores sociais com a instalação dessa estrutura de revista? Na revista você parte de um processo em que todos são suspeitos. Você desconfia de todo mundo. Como trabalhar nas escolas os valores quando pega a visão de segurança física?” questionou o educador.

José Ricardo afirmou ainda que solicitará uma audiência com o promotor para esclarecer alguns pontos da recomendação e que irá submeter a proposta à categoria. Para ele, não haverá mudanças nos casos de violência se não houver trabalho efetivamente educacional.

“Acredito em algo que mexa com as pessoas por dentro. Não acredito estabelecer esquemas de segurança vá resolver o problema”, concluiu José Ricardo.

Em nota, a Secretaria Educação e Esportes de Pernambuco informou “que não recebeu ofício do MPPE sobre o tema, mas irá analisar a recomendação, verificando os impactos financeiros, operacionais e para o funcionamento das escolas”.