PROJETOS ESTIMULAM A APRENDIZAGEM CRIATIVA

A UFPel (Universidade Federal de Pelotas), no Rio Grande do Sul, vai implementar neste ano, nos cursos de pós-graduação, uma disciplina inspirada nos métodos ativos de ensino que prevê estimular a aprendizagem criativa dos alunos. Ainda sem nome oficial, ela vai atender cerca de 2 mil alunos de 42 cursos stricto sensu que vão das áreas de humanas até exatas, em um formato interdisciplinar.

Na outra ponta do mapa, a Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), no Rio Grande do Norte, vai capacitar docentes no laboratório próprio de aprendizagem criativa para que utilizem a metodologia em suas disciplinas, seja na graduação ou na pós.

A aprendizagem criativa prevê que os alunos construam conhecimentos a partir da resolução de problemas, em trabalhos desenvolvidos de maneira interdisciplinar e em equipe, sob a tutela de um professor que funciona como um mentor e não o único detentor do conhecimento. A metodologia é baseada em uma espiral de aprendizagem chamada 4 Ps: project (projeto), passion (paixão), peers (pares/parceria) e play (pensar brincando). O maior autor sobre aprendizagem criativa é Mitchel Resnick, diretor do Lifelong Kindergarten Group, no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos.

Tanto as iniciativas na UFPel como na Ufersa são acompanhadas pelo GT (grupo de trabalho) Universidades Criativas, um fórum da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa que reúne pesquisadores que querem tornar o ensino mais lúdico no Brasil. São 3 mil membros cadastrados em todo o país que participam de reuniões virtuais quinzenais, desde o mês de agosto, para discutir iniciativas que visam tornar a escola mais criativa.

“Não temos um projeto modelo, mas queremos alterar a forma de ensino na universidade e formar professores. Muitas escolas no exterior têm adotado o método, mas o Brasil vem avançando neste sentido também, tanto em escolas quanto em projetos sociais. O desafio é chegar na rede pública”, diz Carolina Rodeghiero, articuladora pedagógica da rede no Brasil, reforçando que o projeto ainda é embrionário.

Embora os trabalhos do GT ainda estejam no início, algumas instituições estão mais adiantadas no processo de transformar o ensino, como a UFPel. Na instituição gaúcha a ideia é que a disciplina que usa a aprendizagem criativa seja implementada ainda no primeiro semestre do ano e se consolide no segundo.

No fim do ano passado, a universidade organizou um evento aberto para apresentar a metodologia e em seguida ofereceu uma oficina mão na massa junto com a Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa.

Segundo Rafael Vetromille-Castro, coordenador de pós-graduação da universidade, o objetivo de iniciar a disciplina pelos cursos de pós stricto sensu (mestrado e doutorado) foi o de inicialmente trabalhar com um número menor de alunos e, ao mesmo tempo, atender a requisitos da Capes, órgão fiscalizador ligado ao Ministério da Educação, que valoriza ações inovadoras na pós-graduação.

“Queremos colocar cursos de áreas diferentes para conversar entre eles, mas estaremos abertos para todos os cursos que queriam comprar a ideia. Assim já começamos a plantar sementes para que a graduação possa se engajar.”

Tiago Thompsen Primo, professor adjunto da UFPel, explica que o que motivou a instituição a explorar a aprendizagem criativa foi a busca por oferecer algo mais dinâmico aos estudantes.

“Existe uma taxa de evasão bem grande na graduação e na pós e observamos a busca dos professores pelo engajamento dos alunos. As metodologias ativas e a aprendizagem criativa fazem com que o estudante possa colocar mais a mão na massa e experimentar. Além disso, pesquisas mostram que esse tipo de atividade gera maior retenção do conhecimento e associação com o mundo real, gerando alunos mais curiosos.”

Fonte: Guia do Estudante