QUASE METADE DOS ESTUDANTES COM FIES ESTÁ INADIMPLENTE

A política do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) é equivocada. A visão é do ministro da Educação, Abraham Weintraub, por conta da alta taxa de inadimplência: quase metade dos estudantes que ainda estão nas universidades.

“Quando você tem uma política em que (quase) 50% das pessoas que ainda estão na faculdade estão inadimplentes, a política está equivocada. A inadimplência acontece nos EUA, no Canadá, mas é inferior a 20% e depois que a pessoa sai da faculdade”, disse nesta quarta-feira, 22 de maio, em apresentação na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

O total de endividados pelo Fies em 2019 é de 522.414 estudantes, ou seja, 47,7% de um total de 1.096.328.

Além da dificuldade para realizar o pagamento, existem barreiras como as enfrentadas pelo engenheiro elétrico Sérgio Rodrigues Vitoriano, que deve R$ 140 mil do financiamento.

Em São Paulo, estudantes de Administração da Faculdade Paulista de Pesquisa e Ensino Superior (Fappes) estão com uma dívida em torno de R$ 70 mil, mas eles alegam que assinaram um acordo com a instituição de ensino em que a própria faculdade prometia assumir o pagamento do Fies.

“Eu teria que permanecer 4 anos estudando na instituição e realizar trabalhos sociais, essa era a condição para eu ter o reembolso do meu Fies. Não aconteceu, infelizmente”, afirma a administradora Crislei Costa.

A Fappes diz que vai entrar na Justiça para transferir os financiamentos dos alunos diretamente para o CNPJ da instituição.

A educadora física Núbia de Souza afirma que começou a ser cobrada para pagar a dívida com o Fies antes do que o contrato previa. Ela tentou negociar com a Caixa Econômica Federal – por onde o financiamento foi liberado, já pagou quatro mil reais, mas a dívida só cresce.

“No dia de terminar o contrato era R$ 3 mil, depois subiu para R$ 7 mil, depois subiu para R$ 9 mil. E agora está em R$ 14 mil. Teve o bloqueio judicial na minha conta, eu quero pagar, mas eu preciso de um acordo, eu preciso de alguma direção para eu conseguir pagar essa dívida. E eu não estou conseguindo, esse é o problema” afirma.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do governo federal e que gerencia o programa, deu um prazo até julho para que os inadimplentes do Fies renegociem a dívida.

Pode renegociar o financiamento quem está com a prestação atrasada há mais de 90 dias e que não está sendo cobrado judicialmente. O interessado deve ir ao banco que fez o empréstimo acompanhado do fiador até o dia 29 de julho.

Entre os estudantes que encontram dificuldades para quitar a dívidas, 338 mil pessoas ganham até 1,5 salário mínimo (R$ 1.497). O número de mulheres com dificuldades para pagar é bem maior do que o de homens: 325 mil contra 208 mil, respectivamente.

Criado na década de 1970 com o nome de “Crédito Educativo” e reformulado nos anos 1990, o Fies é um financiamento para ajudar pessoas de baixa renda a fazer um curso superior. Ele tem juros mais baixos do que outros tipos de financiamento, prazo para pagar maior e o pagamento começa só depois de o aluno se formar.